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Campeão mundial de slackline, Pedro Rafael Marques se vira como pode para viver e praticar

May 4, 2018

  

SANTA TEREZINHA DE ITAIPU, PR - Antes de iniciar a apresentação, seja no treino ou em competições, Pedro Rafael Marques segue o ritual. Um beijo quase imperceptível na fita, um impulso e pronto. Em cima do slackline, que, para muitos, é viver na corda bomba, ele encontra seu equilíbrio. Por isso, em pouco mais de três anos, o cearense de apenas 21 foi capaz de sair de Fortaleza e colocar o Brasil no topo do esporte. Campeão mundial em 2015, em Foz do Iguaçu, ele venceu recentemente competições no Japão e na China com suas manobras ousadas. Neste fim de semana, busca mais um título no River Games Festival, no Parque Nacional de Itaipu, no Paraná.

 

— Eu trato a fita como se fosse minha mulher, ela sempre vai ser a oficial — garante o campeão, que ainda traz no rosto os traços e trejeitos da adolescência.

 

 

 

O estilo de vida criado por ele, a que chama de slacklife, é que dá a sustentação necessária para saltar os percalços da vida e se manter de pé numa fita de menos de 5cm de largura a mais de 1,80m de altura.

 

— O esporte me tirou de uma vida muito triste — explica ele, nascido em Jericoacoara, e que homenageia a cidade natal em uma das muitas tatuagens que representam as manobras que inventou.

 

A “vida triste” não se deve tanto a dificuldades financeiras, mas aos problemas familiares. Na adolescência, os conflitos com a mãe, Lucimar, vieram à tona. Justamente quando ele descobriu o esporte, em 2014, durante as férias escolares na casa da avó, Alzira, também em Jericoacoara. Entre bater massa de pão na padaria da família e servir os clientes, Pedro encontrou uma fita na cidade e resolveu arriscar. A ginga da capoeira, aprendida nas areias de Jeri, foi fundamental para que ele aprendesse o esporte em um dia. Pouco mais de um ano depois, era campeão mundial.

 

 

Porém, aos olhos da mãe, esse era um futuro incerto. Terminar o ensino médio em Fortaleza, onde morava com ela, e conseguir um emprego eram os desejos de Dona Lucimar.

— Nunca tive o apoio dela. Amo minha família, mas nunca tivemos uma relação de mostrar os sentimentos. Não guardo rancor — garante ele, que voltará a Fortaleza após a competição para procurar o pai, José Delton, que está desaparecido. — Ele teve um problema com minha outra avó e ficou sem casa. Preciso resolver isso.

 

Nem mesmo questões assim são capazes de tirar a leveza de Pedro. Desde que decidiu seguir seu caminho, sair de Fortaleza e ir morar em Niterói, nunca lhe faltou a ajuda dos amigos que surgiram pelo esporte.

 

— Não dava mais para ficar lá. Em Jericoacoara, tinha um slackpark onde eu praticava e ensinava, e a prefeitura tirou. Em Fortaleza, na praia de Iracema, também tinha um, que foi fechado pelo governo para uma festa. Me senti humilhado. Nós, nordestinos, somos muito guerreiros, pois muita coisa aparece para acabar com o sonho — conta o slackliner, que chegou a participar do quadro “Agora ou nunca”, do programa “Caldeirão do Huck”, da Rede Globo.

Bastou uma visita ao Rio, em 2015, para fazer amigos, numa das etapas pré classificatórias para o Mundial. No dia 31 de dezembro, passou a virada do ano em Itacoatiara. Meses depois se mudou para a casa do amigo Gabriel. Ainda viveu com uma namorada até o relacionamento terminar e ser acolhido por um advogado, amigo de amigos, que lhe deu moradia em Niterói e um espaço para praticar.

 

 

— Hoje já sou convidado para algumas competições, que bancam tudo. Mas sempre precisei fazer eventos, dar aulas, animar festas para juntar um dinheirinho e conseguir viajar para os torneios. Os prêmios aqui no Brasil ainda são baixos. Lá fora, é possível viver do esporte. Eu estou conseguindo mais ou menos — diz Pedro, não tem patrocínio, mas conta com apoio de algumas marcas, como a Gibbon, criadora da fita usada no esporte.

 

Nada, no entanto, demove Pedro do seu objetivo: levar o slacklife para todo o país, com a mensagem de amor ao próximo. Ele quer divulgar o esporte, dar aulas e ajudar as pessoas em retribuição a tudo o que recebeu até aqui. Um sonho tão alto quanto os mais de 5 metros que ele chega a alcançar nas manobras.

 

— Ali em cima, você aprende o equilíbrio da vida, que servirá para tudo — filosofa o atleta, que se surpreende consigo. — Fico de cara comigo mesmo às vezes, por tudo o que consegui. Até sinto um pouco de medo, mas o medo é meu amigo.

 

Fonte: O Globo.

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